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O corpo é uma entidade política. Dono de múltiplos significados, percorreu um caminho histórico, onde a relação entre o sujeito e ele é (in)definida. Merleau Ponty explica que para os pensadores do final do século XIX, o corpo era um pedaço de matéria - um feixe de mecanismos – e que é no século XX que há uma apropriação da carne.

O sentido desta apropriação, no entanto, ainda se faz problemático. A força do discurso científico, Le Breton diz, transformou o corpo em simples suporte da pessoa, a matéria-prima na qual se dilui e sufocam as identidade(s).


Eu gosto de refletir (imageticamente) sobre essas questões que são trespassadas pelo erotismo (e pela pornografia). Acredito que esses são aspectos verdadeiramente sub-reptícios da arte (e da vida) - uma manifestação externa de que tipo de comoções, o corpo humano - e as ideias reproduzidas a respeito dele – provocam.

Por isso sempre me interessei pelas concepções sociológicas, artísticas, filosóficas do que faz um corpo: pornográfico, por exemplo. Ou .. pode o corpo humano ser  pornográfico?

 

Eu também tenho uma curiosidade infinita acerca da falta de serenidade, na ausência de leveza e em nossos desgraciosos modos com relação ao corpo e às questões que ele enseja quando  os temas se embaraçam - não apenas por questões médica, mas, sexuais, sociais, emocionais, políticas, etc. -

 

​Meu projeto quer trabalhar corpos libertos, humanos, iguais e diferentes; esta constelação de possibilidades; quer uma retomada do corpo: uma (re)apropriação, no intuito de naturalizá-lo, de (re) conhecê-lo.

 

Para isto, capto o desnudo e confundo, recorto, humanizo, entrelaço. Fico na esperança de me apropriar das condições que ele oferece para atestar estas relações.

 

Porque na diluição de tantas identidades que vivem no mesmo espaço geográfico de nós mesmos, o corpo é o que nos individualiza e também o que nos irmana.

E também nos surpreende. Carne, pele, músculos, recantos, minúcias, ...

Em planos, frequentemente fechados - com ISOs altos e sem edições - ver gente com outros olhos. Menos discretos e mais benignos, navegando  despreocupadamente naquela fronteira imaginária -  quando se quer tratar a nudez  - entre o erotismo e a pornografia.

 

Penso que Merleau-Ponty sabia das coisas. Ele escreveu que o corpo é uma obra de arte e a linguagem dele é pura poesia.

 

Eu chamo este projeto de fazer-pensar fotografia de "Aesthesis".

Aqui uma pequena lista de referências bibliográficas sobre o tema.