BREVE INVENTÁRIO DA FALTA DE BOM SENSO (clique e você será redirecionad@!)

 

Eu registro, recolho e destino o lixo que acho nas areias e até mesmo dentro da água, tanto da praia em que resido quanto as que visito. Depois eu mando a foto para as empresas, exigindo delas ações ambientais educativas efetivas.

​Quer saber mais?

A ideia do projeto passeou pouco na minha cabeça, até que no verão, há quatro anos atrás, enchi meu primeiro saco de 50 L de lixo achado na praia.

Pude, durante quatro anos, realizá-lo efetivamente apenas no verão e em feriados, por conta do trabalho como jornalista professora e fotógrafa, em tempo integral, em Curitiba (PR). No entanto, o projeto se tornou tão urgente, que fiz uma série de mudanças na minha vida para realizá-lo de forma mais eficaz. A primeira delas foi me mudar para Imbituba - embora eu ainda me divida entre Curitiba e o litoral de Santa Catarina.

Como faço? Saio a caminhar -  ao amanhecer e anoitecer - para correr, fotodocumentar, caminhar,  estudar ou mergulhar. Na volta, munida de um saco de lixo de 50litros e luvas, recolho alguns dos diversos souvenires presenteados pelos turistas e moradores à praia. Primeiro fotografo, depois ensaco.

Já juntei de tudo das areias do mar. Desde  seringas,   preservativos, cacos de vidro,  absorventes higiênicos,  fraldas descartáveis, marmitas de alumínio; aquelas bombinhas para quem tem bronquite; pratos de papel, bombonas de água de 20 litros; papel higiênico; muita sacola, garrafa pet, pacote de cigarro, bituca, tampinha; pedaços de vários tipos de eletrodomésticos e várias outras coisas que, inacreditavelmente, estão lá, por ação (des)humana.

Levo vários sacos e caso eu junte muito lixo, deixo os pacotes pretos brilhando ao sol no caminho e depois, de carro, os recolho e dou o destino correto.

Segundo momento do projeto

Eventualmente o lixo possui nome, mas a maioria – plástico - é anônima. Para as empresas das marcas que viraram dejetos na praia e no mar  decidi enviar um e-mail. Se investem, algumas, milhões em campanhas publicitárias devem fazer o mesmo e promover a conscientização d@ consumidor@. Aquele aviso eventual, incipiente e minúsculo nas latas e embalagens não conta!

 

A todas as marcas que reconheci, envio um e-mail. A mesma mensagem é enviada a todos, juntamente com a(s) foto(s) e com a sugestão para que promovam campanhas de conscientização para todos os públicos, de crianças a idosos e realizem campanhas educativas nas escolas. A tentativa quer uma mistura de marketing reverso com puro bom-senso.

 

Quando as empresas se pronunciarem – ou não - o seguidora seguidora do blog é avisad@. Muitas marcas não reconheço, por isso conto com a ajuda de vocês para que eu possa identificá-las e entrar em contato com os responsáveis.

Como resolvi dar espaço a outros projetos -  como este - em minha vida profissional e criativa, priorizei a qualidade de vida e a proximidade com a família e assim, embora ainda tenha trabalhos na Educação a Distância em Curitiba, estou morando em Imbituba. Assim, poderei desenvolver com mais atenção, projetos socioambientais na região litorânea.

Aproveito para deixar uma ideia. Sempre que você for a uma praia, além do seus detritos, leve algo que outra pessoa deixou por lá. Seja uma garrafa pet, uma lata de refrigerante ou uma sacola plástica. Isto vai fazer diferença.


Equipamentos utilizados na captação

1 câmera digital compacta  Canon;

1 celular IPhone 5s;

1 câmera Canon T5i + objetivas 35-80mm e 70-300mm;

E mais recentemente: 1 Gopro;

Utilizei uma das três câmeras nos momentos de captação. A qualidade da são bem limitadas tecnicamente falando.

 

Conceito Estético do Projeto

As imagens, de forma generalizada, para este projeto diferem fortemente da linguagem que utilizo na captação documental, comercial e em fine art. Aqui são duras. Brutas. O flash foi usado como recurso técnico, eventual: para achatar; dar um ar curtido, endurecido. Elas foram pouco cuidadas e não fiquei atenta às minúcias e vontades da luz, como de costume. Tudo porque o tema me causava essa inquietude.

Fiz uma escolha com leituras (possíveis) medianas, nas ferramentas que a Sony Cyber-shot  me oferece. O celular quase nada permite quanto a regulagens muito diversas.   A T5i, uma câmera prosumer já possui controles múltiplos, embora ela tenha sido utilizada para fotografar mais a poesia do mar do que o lixo em si, momento em que me permiti aproximar(-me) da linguagem fotocriativa que cultivo.

 

 

 

Como não gosto de edições posteriores, nem de manipulação em qualquer fotografia que eu produza, aqui  mantive as imagens como foram capturadas, permitindo apenas algum corte e contraste.

A fotodocumentação imaginária (Para quem gosta de pesquisa acadêmica)

 

O lixo foi fotografado tal qual eu o encontrava, ou seja, com  intenção fotodocumental – mas no caso do projeto, com um viés “imaginário”, como propôs Chuck Samuels – em artigo desenvolvido por Katia Hallack.  Na fotodocumentação imaginária velhos temas são tratados sob novas perspectivas já que a linguagem se afasta dos sujeitos e das convenções tradicionais, buscando um apelo mais intimista e com liberdade de expressão.

A captação se deu em praias, dunas, lagoas, no mar, nos arredores. A composição e o enquadramento eram os possíveis e não foram racionalizados na maioria das vezes, embora em muitos momentos, naturalmente eu ainda tenha buscado uma composição simples ou que denunciasse ainda mais a obscenidade por aquele objeto ter sido descartado naquele espaço.

O resultado dessa ação você vê, infelizmente, nas imagens postadas no Tumblr, que aos pouquinhos, vou postando.

Breve Inventário.