• Ma. Viviane Rodrigues

21 FILMES E PALESTRAS PARA PENSAR A DECOLONIZAÇÃO

Atualizado: Jun 24

Para explicar o que é decolonização é preciso pensar no nosso processo de colonização. Suess e Silva (2019) explicam para a gente:

"O reflexo do processo de colonização da América, especialmente da América Latina, ainda é marcante nas estruturas de poder e nos modos de ser e saber dos países desse continente. A concentração de terra, as desigualdades sociais, o novo coronelismo, o racismo, o machismo, o patriarcalismo, a imposição de ideias neoliberais e o lugar que essas nações ocuparam e ainda ocupam no sistema-mundo atual, são provas que permanecem fortes a materialidade e a subjetividade construídas pelo eurocentrismo no período colonial. Com velhas ou novas roupagens essas construções estão longe de romper com a essência eurocêntrica". (...)Nesse sentido, desde a colonização, o direito e o poder foram pautados em uma legalidade racista e discriminatória (grifo meu).

Então, a decolonização e seus estudos pretende:


(...) : a crítica às concepções dominantes de modernidade; as situações de opressões vivenciadas na América como consequências do colonialismo; o conceito de raça como importante instrumento de dominação europeia; a superação da colonialidade do poder, colonialidade do ser e colonialidade do saber; a ruptura com o eurocentrismo; a busca de uma nova civilidade e novas formas de organização espacial; e ainda, a interculturalidade crítica e a transculturalidade como importantes ferramentas para um novo projeto de sociedade (SUESS; SILVA, 2019).

Eu sei que este assunto precisa ser mais esclarecido, por isso, se você quiser uma explicação um pouco mais detalhada, sem ser, assim, acadêmica, pode clicar nesse link.


Agora vamos a lista com as sugestões.

Abaixo elenquei alguns filmes que podem fazer você refletir sobre a necessidade de conhecer e valorizar narrativas outras acerca da vida, da arte, da cultura - e do esforço realizado para silenciar - povos chamados subalternos, não somente latino-americanos.


Vou começar com a única animação da lista - e fora da ordem cronológica - e que animava bastante os estudantes, no caso, de nível superior e também técnico (integrado e subsequente) :


Uma História de Amor e Fúria (2013)

Apesar da história de amor entre os tupinambás Janaina e Abeguar, durante 600 anos, parecer o fio condutor desta animação, a frase ‘viver sem conhecer o passado é andar no escuro’ é o verdadeiro mote que conduz a narrativa e seus quatro grandes momentos (históricos): 1566 (a violência da colonização), 1825 (Revolta da Balaiada), 1968 (ditadura militar) e 2096 (crise hídrica e o Rio de Janeiro controlado por milícias particulares). Dirigido por Luiz Bolognesi, é uma animação que fala de opressão, mas de forma muito mais vibrante, de resistência.


Making off da animação.


Agora vamos a lista em ordem cronológica :)


1 Mato Eles? de Sérgio Bianchi (1982)

Série de entrevistas na reserva de Mangueirinha, no sudoeste do Paraná, local onde estavam estabelecidos os/as remanescentes dos povos nativos como o Xetá, o Kaingang e o Guarani.





2 Avaeté, Semente da Vingança, de Zelito Viana (1985)

Filme que lembra o massacre dos Cintas-Larga/Cinturão Largo ocorrido no município de Juína, no Mato Grosso. Embora seja uma ficção, contou com a participação da etnia Rikbaktsa/Orelhas de Pau.



3 O País Secreto: Os Primeiros Australianos Revidam, (The Secret Country: The First Australians Fight Back) de John Pilger e Alan Lowery (1985)

Documentário em série para televisão ilustra a perseguição aos aborígenes ao longo da história da Austrália.



4 A Missão (The Mission, 1986)

Filme dirigido por Roland Joffé, trata da Guerra Guaranítica (1750 a 1756). Os Guaranis - na região dos Sete Povos das Missões - não aceitaram deixar suas terras no território do Rio Grande do Sul e se mudar para a outra margem do Rio Uruguai, ocasionando uma guerra entre Guaranis, tropas espanholas e portuguesas, após a assinatura do Tratado de Madri. Os Guaranis descumpriram o prazo de um ano, dado pelas autoridades ibéricas para efetuar a transferência de cerca de trinta mil pessoas e seus bens. Os indígenas dos Sete Povos resistiram as demandas.


5 Where the Spirit Lives (1989)

Ficção dirigida por Bruce Pittman, conta a história de crianças indígenas do Canadá, abruptamente tiradas de suas comunidades e levadas a estudar em internatos para a assimilação da cultura majoritária. Komi (Michelle St. John), é uma destas crianças. Raptada de casa, no internato ganha um novo nome, Amelia, no entanto, nem toda a violência dos professores, para que assimile a nova cultura, faz com que ela perca a identidade, e pense em um plano de fuga.


Recentemente foram encontrados mais de 215 corpos dessas crianças no maior internato do tipo, em um escândalo que está abalando o Canadá.


6 Brincando nos Campos do Senhor (At Play in the Fields of the Lord,1991)

Dirigido por Hector Babenco, a obra mostra missionários fundamentalistas estadunidenses, o poder local e os interesses econômicos e os indígenas da etnia Niarunas mergulhados em um grande conflito. O filme, mais que uma radiografia da tentativa dos missionários de catequisar os povos nativos na floresta, pensa a questão da demarcação e defesa dos territórios indígenas; as identidades culturais dos protagonistas e a perspectiva ideológica ocidentalizada, de mão única, que conduz o olhar de quem tem poder.


Extra: entrevista do Babenco.


7 Geração Roubada (2002)

Filme de Philip Noyse (2002) contextualiza um tipo de barbárie, promovida entre 1880 e 1960, pelo governo australiano contra os aborígenes. As crianças mestiças eram sequestradas pelo Estado e entregues a famílias brancas, para as quais trabalhavam de serviçais.



8 Into the West (2005)

Realizado por Steven Spielberg contextualiza a ocupação do oeste americano no século XIX, através das narrativas ao longo de sete décadas, da família de pioneiros Wheeler e os membros e as membras da tribo Lakota.



9 Serras da Desordem (2006)

Obra de Andrea Tonacci (2006). Trágica história de Karapiru, da etnia Awá, que após escapar do massacre ao seu grupo familiar - muitos Awá morreram após comer farinha misturada com veneno de formiga, presente de um fazendeiro; mas a maioria foi assassina a tiros - em 1978. Desde então, ele vagava, só, pelas terras que conhece como suas, entre o estado do Maranhão e as florestas equatoriais da Amazônia - porque para os Awá, a terra é Harakwá, ou seja, "o lugar que conhecemos". Após um encontro com o sertanista Sydney Possuelo, Karapiru foi levado para Brasília, onde acaba como centro de uma polêmica criada por antropólogos e linguistas.



10 Nossos espíritos não falam inglês (Our Spirits Dont Speak English, 2008)

Documentário por Chip Richie e narrado pela indígena Gayle Ross trata dos internatos americanos frequentado por jovens nativos/nativas entre os século XIX e meados do século XX.


11 Escolarizando o Mundo (Schooling the World, 2010)

O filme ilustra como a educação ocidental foi imposta aos povos nativos e, eventualmente, acabou modificando o modo como vivem sua cultura. A obra mostra o poder destrutivo do etnocentrismo que comandava tais "projetos educacionais" feitos para promover um determinado tipo de cultura entre os jovens nativos. Estas perspectivas desvalorizavam a cultura indígena e projetavam definições de vida, morte, riqueza, pobreza, arte, conhecimento e ignorância da cultura majoritária.



12 Utopia, 2013

Utopia é o nome de uma comunidade aborígenes estabelecida em uma área remota e pobre da Austrália. É um retorno dos jornalistas John Pilger e Alan Lowery, em 2013, 28 anos depois de O País Secreto e mostra a vida dos aborígenes na Austrália contemporânea.



13 O Abraço da Serpente, 2015

O filme de Ciro Guerra traz na narrativa a história de Karamakate, um poderoso xamã da Amazônia, agora vivendo em isolamento, último sobrevivente de seu povo. A vida de Karamakate sobre uma reviravolta com a chegada de um botânico americano que busca uma poderosa planta chamada Yakruna, que leva a compreender o mundo dos sonhos. Passado, presente e futuro se entrelaçam na aventura de ambos, no entanto, são as memórias de Karamakate que o levam a pensar na importância de passar seu conhecimento, e de sua etnia, adiante.



14 Pirikpura (2018)

Os dois últimos sobreviventes dos índios Pirikpura. Eles foram vistos pela última vez em 2011t- naquele momento, pois, novamente em 2018 entraram em contato com sertanistas - e o filme acompanhava a expedição em busca dos dois sobreviventes, que vivem cercados por fazendas e madeireiros, em uma área "protegida" no meio da floresta.



15 Ex-Pajé (2018)

Entre o documentário e o docudrama, o diretor Luiz Bolognesi, mostra a história de Perpera, um pajé que perdeu a liderança religiosa de sua comunidade após a chegada de missionários cristãos.





16 Uma conversa com Celina Nunes sobre o Decolonial na pesquisa em artes no Brasil (2018)



17 Janet O'Shea conversa sobre Decolonizar os currículos em artes da cena



18 UFPR Especial | Decolonização do conhecimento, 2018



19 Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (2019)

Dirigido porr Renee Messora e João Salaviza, o filme mostra o protagonista Ihjãc, um jovem nativo da etnia Krahô, aflito pela possibilidade de ser obrigado a se tornar o pajé, que foge para a cidade de Pedra Alta, no Tocantins.



20 Decolonizações (2020)


Série dirigida por Karim Miské, Marc Ball e Pierre Singaravélou, em três episódios, que mostra o violento processo de criação das nações independentes frente ao poder opressor. Os episódios trabalham com o resgate de personagens importantes daqueles contextos.


Ative a legenda em português.




21 Festival Corpos da Terra | Decolonização do Corpo, Arte e Moda


Quer contribuir? Deixe nos comentários outras sugestões, que eu vou adicionando ao post!



Bibliografia

SUESS, Rodrigo; SILVA, Alcinéia. A perspectiva decolonial e a (re)leitura de conceitos. Disponível em: <https://periodicos.ufsm.br/article/view/35469/html>. Acesso em: 19/06/202.

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