• Ma. Viviane Rodrigues

E SE "O DIABO VESTE PRADA" FUGISSE DO TROPO CHEFONA?

Atualizado: Mai 15

* Este post faz parte do ensaio: A CIDADE DAS MULHERES MORTAS: A VIOLÊNCIA REITERADA CONTRA AS MULHERES NA PRODUÇÃO FÍLMICA E SERIADA. Ele será publicado na obra coletiva 15 anos da Lei Maria da Penha: Avanços e Desafios (Coordenadores: Bruna I. Simioni Silva; Larissa Ribeiro Tomazoni e Paulo Silas Filho).


Considerado uma narrativa progressiva na época de seu lançamento, com uma narrativa que envolvia também a interracialidade, o filme Uma Imitação de VIda, segue o plot da "self-made woman” (e mãe solteira) Lora Meredith. Quando a mulher faz sucesso na Broadway, ela passa então, a "negligenciar" as tais responsabilidades femininas da casa e para com as crias. Diante disso, os experimentados roteiristas Eleanore Griffin e o Allan Scott mantiveram a caracterização na adaptação do livro para o cinema OU SEJA, a carreira profissional da personagem passa a ser demonizada a, a tal ponto que ela abandona a carreira e retorna ao lar para cuidar do filho.


É importante lembrar que, o/a roteirista detém a ferramentaria específica da literatura aplicada ao cinema para manipular a narrativa ((e os espectadores), então, como tal que somos, embarcamos no produto da indústria de entretenimento sem estar alerta, e facilmente podemos ver Lora como um mulher malvada, egoísta e negligente.

An Imitation of Life, 1959


Se você viu O Diabo Veste Prada, teve acesso a um tropo/estereótipo muito presente em filmes e seriados: a Chefona. Ela é a f*dona, competência em estado sólido, dona da po*ra toda, MAS, é infeliz, frustrada e maldosa, desleal, egocêntrica, etc. Lembrou do filme? Com a diva Merryl Streep! Então, será que a sua percepção do filme mudaria acerca de Miranda Pristley se essa cena não tivesse sido cortada?


Aqui um post sobre como muita gente parou para pensar sobre quem era a/o vilã ou vilão realmente da história?

A Proposta - mais um bom para salvar a chefona da própria miséria.



gif


Bônus

+ tropos!


Embora sejam reconhecidas como intelectuais, as personagens feministas nos filmes costumam: pensar demais; exemplifica como a sociedade oprime as mulheres muitas vezes, por isso são vistas como exageradas; são mostradas como mulheres que querem palestrar sobre assuntos o tempo todo; são, acima de tudo, chatas. Muitas vezes também são vistas como pessoas que não tem boa higiene, que tem experiência sexual "demais", etc.

Aqui você vai encontrar mais exemplos.


Dead Lesbian Syndrome ( Síndrome da Lésbica Morta)


O Salvador Branco

Quando roteirizam criando um personagem caucasiano que é essencial "dar aquela força", "aquela mão" para o cidadão preto, asiático, mulher, pobre ...


12 Anos de Escravidão também têm o salvador branco - que produziu o filme, inclusive rsrsrs



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