• Ma. Viviane Rodrigues

E SE "O DIABO VESTE PRADA" FUGISSE DO TROPO "CHEFONA"?

Atualizado: Ago 15

* Este post faz parte do ensaio: A CIDADE DAS MULHERES MORTAS: A VIOLÊNCIA REITERADA CONTRA AS MULHERES NA PRODUÇÃO FÍLMICA E SERIADA. Ele será publicado na obra coletiva 15 anos da Lei Maria da Penha: Avanços e Desafios (Coordenadores: Bruna I. Simioni Silva; Larissa Ribeiro Tomazoni e Paulo Silas Filho).


Considerado uma narrativa progressista na época de seu lançamento, com direito a história inter-racial, o filme Uma Imitação de Vida, de 1959, segue o plot da self-made woman (e mãe solteira) Lora Meredith. A partir do momento que a personagem faz sucesso na Broadway, ela passa, então, a "negligenciar" as tais responsabilidades femininas da casa - e, também, para com as crias. Os experimentados roteiristas Eleanore Griffin e o Allan Scott mantiveram a caracterização na adaptação do livro para o cinema, OU SEJA, a carreira profissional da personagem passa a ser demonizada, a tal ponto, que ela abandona a vida no trabalho e retorna ao lar para cuidar do filho.


É importante lembrar que, o/a roteirista detém a ferramentaria específica da literatura aplicada ao cinema para manipular a narrativa (e os espectadores), então, muitas vezes, embarcamos no produto da indústria de entretenimento sem estarmos alertas, e facilmente podemos ver Lora como uma mulher malvada, egoísta e negligente.

An Imitation of Life, 1959


Esse tropo se repete muito e com muita frequência. Se você viu O Diabo Veste Prada, teve acesso a um clichê muito presente em filmes e seriados: a Chefona. Ela é a f*dona, a competência em estado sólido, dona da po*ra toda, MAS, é infeliz, frustrada e maldosa, desleal, egocêntrica, etc.


Lembrou do filme? Com a diva Merryl Streep!


Então, será que a sua percepção do filme mudaria acerca de Miranda Pristley se essa cena não tivesse sido cortada?


Aqui um post sobre como muita gente parou para pensar sobre quem era a/o vilã ou vilão real da história, depois de olhar para a narrativa com olhos mais atentos.


Outro filme com um roteiro parecido é A Proposta.

A Proposta - mais um para salvar a chefona da própria miséria.



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Você não está cansada desses clichês?


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