• Ma. Viviane Rodrigues

OUTRA "JORNADA DA HEROÍNA": EMPODERAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE PERSONAGENS FEMININOS

Atualizado: Jun 29

Este post faz parte do ensaio: A CIDADE DAS MULHERES MORTAS: A VIOLÊNCIA REITERADA CONTRA AS MULHERES NA PRODUÇÃO FÍLMICA E SERIADA. Ele será publicado na obra coletiva 15 anos da Lei Maria da Penha: Avanços e Desafios (Coordenadores: Bruna I. Simioni Silva; Larissa Ribeiro Tomazoni e Paulo Silas Filho).


No livro 45 Master Characters: Mythic Models for Creating Original Characters da escritora e roteirista Victoria Lynn Schmidt, é possível nos aprofundarmos nos arquétipos masculinos e femininos mais comuns - aqueles modelos míticos presentes em várias culturas dos quais todos os personagens se originam. Ela explica que a jornada ou seja, essa progressão de eventos no qual o personagem se envolve. A autora cita vários exemplos retirados da literatura, televisão e cinema, entre eles “Gladiadores” e “Reis”, como o boxeador Rocky Balboa, e a “Donzela”, como Xena - A Princessa Guerreira.

Os estágios da Jornada da Heroína de Schmidt incluem:


1. A ilusão do mundo perfeito


"Sou uma profissional excepcional, é só uma questão de tempo para que eu seja "um deles". Aqui a heroína tentar agradar mãe / pai / marido / chefe / etc. e cumpre um papel que fará com que seja aceita na comunidade, no trabalho, na vida íntima, etc.


2. A desilusão/a traição


A heroína sofre uma dura queda quando é traída por alguém que confiava ou percebe que todas as estratégias que usava não funcionam na concepção de mundo que vive.


3. O despertar/A preparação para a viagem


Quando principia essa trajetória, a heroína perde as esperanças, porém decide agir e tentar mudar a narrativa. Outros tentam desencorajar a heroína, porém, é a força da traição sofrida, dos males de qual foi vítima e que empurra a narrativa da heroína para frente. Esse é o momento também que a heroína encontra a força que precisa, mas ainda permanece cega para o seu mundo interior.

4.A descida/ O julgamento


A heroína então experimenta a culpa, a covardia, a vergonha, o medo, porque precisa deixar o antigo modo de ser. Nesse momento da narrativa ela pode ter medo dessa nova versão de si mesma. Ela pode se sentir culpada por quebrar as regras. Porém, a heroína deve abrir mão das antigas noções que possui para seguir em frente.


5. Olho da tempestade


Neste estágio, a heroína experimenta o sucesso. Isso faz com que sinta uma falsa sensação de segurança, porque embora tenha sucesso, ele não se mantém, porque os demais personagens ao redor dela não querem ser liderados por uma mulher (minoria).


6. A morte/tudo está perdido


Á medida que as coisas pioram - a heroína sabe que as habilidades que possui são ineficazes, e abraça a desesperança. Apesar dos esforços, ela falha e aceita a derrota.


7. Apoio/suporte


A heroína encontra um ser mágico, uma guia que explica que ela não pode vencer sozinha. Ela, então, considera sua necessidade de apoio.

8. Renascimento/momento da verdade


A heroína entende que mente e alma são necessários para fomentar a coragem e a força que são necessárias - ou seja, ela enfrenta próprio medo e aprende a compaixão.


9. Um Novo mundo por novos olhos


A heroína vê o mundo como ele é. Ela não precisa do reconhecimento exterior para se sentir agente de mudança. Diferente das demais jornadas, o reconhecimento não é uma prioridade para a heroína. Ela compreende que a recompensa é vivida através do universo emocional e espiritual e essa nova perspectiva acaba trazendo ourtas estratégias de vida.

Vou deixar um desafio: consegue dizer como essa jornada se enquadra no filme Capitã Marvel (2019)?


Lembrando que como expliquei no artigo sobre a Jornada de Heroína de Maurren Murdock, pensa uma produção que combata a misoginia, heteronormatividade, o classismo, o racismo- e confronte os paradigmas que delimitam espaços para mulheres e/ou homens/queers - ricos e pobres, pretos, brancos e asiáticos. Ela escreveu um modelo que é adaptável a todos/todas/todes personagens.


Gostou desta jornada? Lembra de algum filme que se encaixe nesta prática de narrativa fílmica?

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