• Ma. Viviane Rodrigues

+ DA "JORNADA DA HEROÍNA": EMPODERAMENTO E DESENVOLVIMENTO DE PERSONAGENS FEMININOS

Atualizado: Mai 15


No livro da escritora e roteirista Victoria Lynn Schmidt, é possível nos aprofundarmos nos arquétipos masculinos e femininos mais comuns - aqueles modelos míticos presentes em várias culturas dos quais todos os personagens se originam. Ela explica que a jornada ou seja, essa progressão de eventos no qual o personagem se envolve. A autora cita vários exemplos retirados da literatura, televisão e cinema, entre eles “Gladiadores” e “Reis” como o boxeador Rocky Balboa e a “Donzela” como Xena.

Os estágios da jornada da heroína de Schmidt incluem:


1. A ilusão do mundo perfeito


"Sou uma profissional excepcional, é só uma questão de tempo para que eu seja "um deles". Aqui a heroína tentar agradar minha mãe / pai / marido / chefe / etc. e cumpre um papel que fará com que seja aceita na comunidade, no trabalho, na vida íntima, etc.


2. A desilução/a traição


A heroína sofre uma dura queda quando é traída por alguém que confiava ou percebe que todas as estratégias que usava não funcionam na concepção de mundo que possui.


3. O despertar/A preparação para a viagem


Quando principia essa trajetória, a heroína perde as esperanças, porém decide agir e tentar mudar a narrativa. Outros tentam desencorajar a heroína, porém é a força da traição sofrida, dos males de que foi vítima que empurra a narrativa da heroína para frente. Esse é o momento também que a heroína encontra a força de que precisa, mas ainda está cego para o seu mundo interior.

4.A descida/ O julgamento


A heroína então experimenta a culpa, a covardia, a vergonha, o medo porque precisa deixar o antigo modo de ser. Nesse momento da narrativa ela pode ter medo dessa nova versão de si mesma. Pode se sentir culpada por quebrar as regras. Porém, a heroína deve abrir mão das antigas noções para seguir em frente.


5. Olho da tempestade


Neste estágio, a heroína experimenta o sucesso que traz uma falsa sensação de segurança, porque embora tenha sucesso, ele não se mantém porque, os demais personagens ao redor da heroína não querem ser liderados por uma mulher (minoria).


6. A morte/tudo está perdido


Á medida que as coisas pioram, porque o que a heroína sabe, as habilidades que tem são ineficazes, sente que não há esperança. Apesar dos esforços, ela falha e aceita a derrota.


7. Apoio/suporte


A heroína encontra um ser mágico, uma guia que explica que ela não pode vencer sozinha. Ela, então, considera, diferentemente de anteriormente, sua necessidade de apoio uma coisa positiva.

8. Renascimento/momento da verdade


A heroína entende que mente e alma são necessários para fomentar a coragem e a força que são necessárias - ou seja, ela enfrenta próprio medo e aprende a compaixão.


9. Um Novo mundo por novos olhos


A heroína vê o mundo como ele é ela não precisa do reconhecimento para se sentir agente de mudança. Diferente das demais jornadas, o reconhecimento não é uma prioridade para a heroína. Ela compreende que a recompensa é para ser vivida através do universo emocional e espiritual e essa nova perspectiva acaba trazendo novas estratégias de vida.

Vou deixar um desafio: consegue dizer como essa jornada se enquadra no filme Capitã Marvel (2019)?


Lembrando que como expliquei no artigo sobre a Jornada de Heroína de Maurren Murdock, o uso de “feminino” e “masculino” envolve uma questão de gênero dos personagens, mas de arquétipos de comportamentos que estão associados dentro de uma sociedade misógina, heteronormativa, classista, branca às regras sob as quais se delimita espaços para mulheres e homens - ricos e pobres, pretos, brancos e asiáticos. Ou seja, o modelo é adaptável a personagens.



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