• Ma. Viviane Rodrigues

"RECÉM NASCIDA SEXY" E OUTRAS REPRESENTAÇÕES PROBLEMÁTICAS

Atualizado: Jun 10

* Este post faz parte do ensaio: A CIDADE DAS MULHERES MORTAS: A VIOLÊNCIA REITERADA CONTRA AS MULHERES NA PRODUÇÃO FÍLMICA E SERIADA. Ele será publicado na obra coletiva 15 anos da Lei Maria da Penha: Avanços e Desafios (Coordenadores: Bruna I. Simioni Silva; Larissa Ribeiro Tomazoni e Paulo Silas Filho).

Primeiro vamos lembrar que um tropo cinematográfico é uma convenção que é usada para se contar uma histórias. São apoios narrativos são ferramentas, são suportes usados para expressar ideias ao público. Um tropo repetido a exaustão vira um clichê fílmico.


Exemplos de tropos


Narnia Time - Filmes em que personagens viajam no tempo, mas o tempo lá se passa de forma diferente.


Sequestro é Amor - Primeiro filme que me vem a cabeça é "Sete Noivas para Sete Irmãos", um musical onde seis irmãos resolvem, baseados na história de terror do rapto das Sabinas - a história de que a primeira geração de homens romanos teria sequestrado e estuprado as filhas das famílias Sabinas vizinhas - sequestrariam as mulheres que os interessassem. Nem tenho o que dizer...

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Nascida Sexy Ontem é um tropo muito conhecido de quem gosta de cinema também. É aquela mulher estonteante, extremamente sensual, que não tem a menor ideia dos desejos que provoca em outras pessoas. Para além disso, é uma personagem muito ingênua e muito infantil.


Marilyn Monroe viveu essa tragédia profissional, por ser obrigada a viver este papel incontáveis vezes. Essa representação acossou-a, inclusive na vida particular. Na verdade, Marilyn era uma leitora ávida. Na biblioteca pessoal dela haviam clássicos como Dostoievski e Milton, mas também modernos como Ernest Hemingway e Jack Kerouac. Enquanto ela não estava filmando, ela era uma acâdemica na UCLA, nas aulas noturnas de literatura e história. Nada mais natural, então do que ela também escrever, e o fez: eram textos fragmentados, poemas, escritos em cadernos, folhas soltas, finalmente publicados como Fragments: Poems, Intimate Notes, Letters, em 2012. A leitura revela uma pessoa extremamente sensível aos agentes externos e que pensava sobre si própria e quem estava ao seu redor. Depois de ler você percebe a trágica desconexão entre uma persona pública e a pessoa privada - vulnerável e incompreendida; desejosa de ser vista como ela realmente era.



Ela e Bert Stern (fotos acima são dele) ajudaram a despertar o meu amor pela imagem - inerte ou em movimento - pela fotografia e pelo cinema. Me fizeram perguntar também, quando as mulheres passaram a acreditar que uma cicatriz não é algo próprio e lindo.



No Brasil, passei minha infância e um pedaço da adolescência vendo esse tropo narrativo com o Miéle e a Kate Lyra no programa de TV A Praça é Nossa:

O Homossexual Depravado e sua Laia - auto-descritivo, esse tropo com o qual praticamente limitavam as representações de personagens explicitamente gays a vilões, desequilibrados, suicidas ou, pelo menos, a personagens que não eram muito respeitados pela narrativa.


Bury your gays - Personagens queer têm mais probabilidade de morrer do que personagens heterossexuais porque são, geralmente, considerados mais descartados.



Vasquez sempre morre - personagem que representa a butch, tem a morte mais violenta e prolongada. Nome de uma das personagens do filme Aliens - mas nesse todo mundo morre - ops, spoiler.


Não muito Gay - esse tropo serve para quando você quer apresentar - como roteirista - ou vê - um personagem gay, mas que não seja muito gay. São os namorados que não pegam na mão, não beijam e mais parecem colegas de quarto.

Garota com Garota - para garantir a atenção masculina porque duas garotas namorando são sempre sexy, certo? Sempre através do Male Gaze, da


Garotos são garotos- "se ele está sendo mau com você, quer dizer que ele gosta de você"; ele pode dar chilique por ciúmes; ser violento no dia-a-dia porque não sabem lidar com os próprios sentimentos; são rudes e grosseiros quando não sabem o que dizer, embora bons de coração, etc. Homens são assim mesmo, certo? (Errado). Esse tropo é muito comum e está presente em novelas, séries e filmes. Outros tropos -


O Herói Acidental - Um personagem é celebrado pelo seu heroísmo. Ele insiste que não fez nada de especial, mas ninguém acredita. Geralmente prevê duas formas de ser adaptado a narrativa: o herói cometeu um erro que resultou no resgate ou ele estava fazendo algo por si, e acabou salvando o dia.

Um tropo se torna interessante quando cai nas mãos de bons roteiristas, como no caso de Herói Acidental, de 1992, de Laura Ziskin, Alvin Sargent e David Webb Peoples. Infecção por Zumbi - Alguém é ferido, machucado, mordido e manifesta os sintomas. No filme Maggie há o tropo Apocalipse Zumbi e tantos outros - porque sabemos que eles são costurados.





Se você quiser passear por todos os exemplos, um site legal para pesquisar é:

TVTROPES.

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