• Ma. Viviane Rodrigues

TESTE DE BECHDEL: PARA USAR QUANDO FOR ESCOLHER UM FILME

Atualizado: Ago 15


Existe um "método" para se escolher um filme menos misógino e estereotipado, e ele se chama Teste de Bechdel. O teste foi criado pela ilustradora Alison Bechdel, mas foi baseado, digamos, livremente no livro de Virgínia Wolf, Um Quarto Só Seu, considerado por muita gente importante como um dos livros mais influente do século XX .

"A liberdade intelectual depende de coisas materiais. A poesia ­depende da liberdade intelectual. E as mulheres sempre foram pobres, não por meros duzentos anos, mas desde o começo dos tempos.”

No livro a autora reflete: “uma mulher, se quiser escrever literatura, precisa ter dinheiro e um quarto só seu”. Virginia projeta, nas páginas do ensaio, acerca das dificuldades que as mulheres enfrentaram, da pequena representatividade que advém da condição social que nos irmana; da importância da educação e da igualdade de oportunidades. Se pergunta como seria a vida de uma irmã de Shakespeare, que tivesse os mesmo talento literário, e saúda as escritoras que tiveram sucesso - mesmo em uma sociedade patriarcal.


Pois bem, voltando ao Teste de Bechdel, na HQ de Alison, uma das personagens ao escolher um filme leva em consideração:


1. Que tenham, pelo menos, duas personagens femininas;

2. Que conversem entre si em alguma cena;

3. E que a conversa não verse sobre homens.


Parece fácil encaixar filmes nas regras, mas não é assim, não... E se adicionar as variações, como por exemplo, mulheres falando bem de outras mulheres; ou que não falem sobre crianças, nem que as personagens sejam mães, piora... o número é ainda menor.



Exemplos dos filmes que não passam no Teste, não faltam: Ex-Machina; O Senhor dos Anéis; O Quarteto Fantástico; Batman x Superman; Cidade de Papel; Deadpool, entre milhares de outros.


Mas as coisas estão mudando. Importante dizer que muitos estúdios estão obrigando as produções a lembrarem da regra ao realizar um filme. Em algumas nações, como a Suécia, os cinemas estão introduzindo uma nova classificação para destacar o preconceito de gênero, ou melhor, a ausência dele. Para obter uma classificação A, um filme deve passar no teste.


Bem, vamos a alguns exemplos dos filmes que passam no teste:


BARONESA, de JULIANA ANTUNES


MULHERES ADORÁVEIS, DE GRETA GERWIG


CLÉO DAS 5 ÀS 7, de Agnes Vardá


TANGERINE, de Sam Baker


HISTÓRIAS CRUZADAS, de TATE TAYLOR


FROZEN


GHOSTBUSTERS, de Paul Feig



Fleebag e Killing Eve, criações da roteirista premiadíssima Phoebe Waller-Bridge - também são exemplos, sendo que a última temporada foi roteirizada por Emerald Fennell, que ganhou o Oscar de Roteiro Original para Cinema, em 2021.




Mas nem todo o filme que passa no teste não é misógino - e vice-versa. 50 Tons de Cinza, por exemplo, passa no teste, mas é um poço de estereótipos e clichês. Já o Jogo da Imitação - por, exatamente, exercer uma crítica a sociedade machista - não passa no teste.


QUER VER MAIS? AQUI A LISTA!


* Este post faz parte do ensaio: A CIDADE DAS MULHERES MORTAS: A VIOLÊNCIA REITERADA CONTRA AS MULHERES NA PRODUÇÃO FÍLMICA E SERIADA. Ele será publicado na obra coletiva 15 anos da Lei Maria da Penha: Avanços e Desafios (Coordenadores: Bruna I. Simioni Silva; Larissa Ribeiro Tomazoni e Paulo Silas Filho).


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