O TURISMO PRECISA SER REPENSADO

January 22, 2017

O lugar:

 

 

 

 

 @s turistas, ops; melhor: predador@s

 

 

 

 

Só desrespeito e brutalidade. Não importa a nacionalidade.

 

6:40 da manhã.

 

Chego na Ferrugem, famosa pelo surf e pela frequência de jovens em Garopaba, Santa Catarina. Praia de mar tinhoso - lindo de doer -onde a água cristalina é feita para aquele calor intenso: sempre mais geladinha que as demais.

 

Não bastando, aquele pedaço do paraíso tem mais. Serpenteia pelas árvores; toma a largura que a maré lhe ditar, margeado por árvores, e se estende pela areia branca:  um canal de águas claras e mansas, que se une ao mar. 

 

Em determinados dias, o canal, ou a "barra", como é mais conhecida, fica com uma cor marrom, devido a areia que se deposita no fundo. Esta peculiaridade deu nome a praia.

 

Destoando de toda esta maravilha, no entanto, está a quantidade de lixo e um sistema inócuo de recolhimento no verão. É muito lixo, minha gente. É muito plástico. É muito tudo para uma comunidade pequena.

 

Depois de um banho de mar maravilhoso, pronta para ir embora, ainda cedo, perto do Bar do Zado, encontro Seu João, catando o lixo dos arredores da praia. Parei para conversar e perguntar se a região tem associação de moradores e contar do meu desconsolo. Eu vinha da praia da Barra.

 

 

 

"Ô, moça... É um absurdo o que as pessoas fazem mesmo". Ele me diz que é pago para recolher o que as pessoas deixam pela praia.

 

"O Zado e o Cristiano, filho do Dr. Carlinhos, conhece? Do doutor Carlinhos, sabe?! O Cristiano? Me pagam para limpar por aqui", diz ele no sotaque ligeiro de nativo.

 

"Ano passado eu estava na Barra, este ano estou aqui... Tem muita gente fazendo fogueira na praia aqui e deixando tudo imundo, moça... Imundo".

Digo que fiquei indignada com os acampamentos na Ferrugem e com a sujeira nos arredores e nas ruas. Conto que há três anos cato o lixo que encontro na Praia da Vila, como ele.

 

"Ah é?!", ele me devolve o sorriso, " Lá na Vila?"

 

"Vou entrar em contato com o Zado e com a prefeitura, Seu João, porque assim, não dá, né!?

 

"Entra, moça, manda as fotos para eles!".

Agradeço o papo e entro no carro.

 

"Queria dar os parabéns para o Zado e ao Cristiano, que contribuem duplamente para a comunidade, empregando e tentando manter a praia limpa. Precisamos de mais gente assim", penso.

 

É preciso, com urgência, formular uma campanha, nem que seja sazonal,  de conscientização, além de uma coleta mais eficaz, com certeza,  ou, não somente a Ferrugem, como todas as praias que visitei vão ser contaminadas por todo o tipo de lixo.

 

É triste, é um crime, tanta sujeira em um santuário de diversidade e beleza, que transmite tanta paz.

 

Quem consegue ser incapaz de empatia mínima pela natureza e respeito básico, pessoas que contribuem para deixar esta maravilha em agonia, tem que se educar e as/aos filh@s, ou não merecem estar ali.

 

Quem precisa de gente assim?


(Para mais sobre projeto de recolhimento de lixo na praia veja PRAIA FEELINGS .)

*Post original do projeto VIAGEIRAS.

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