FOI DIA DE OSCAR: POR MAIS ANÁLISE CRÍTICA E MENOS SINOPSEIR@S E FOFOQUEIR@S.

March 5, 2018

Ma. Viviane Rodrigues

Para amar é necessário ter interesse. Ter interesse é prestar atenção. Verdadeiramente. É estar atent@. Se interessar. Requer tempo, paciência e vontade. A maturidade pode acelerar o processo, mas é, para sempre aprendizado. Com o cinema não é diferente. Pensar o cinema é enamorar-se eternamente...  Mas assim ... Este não é um post simpático rsrs.

 

Para analisar um filme, é preciso percebê-lo nas dezenas de dimensões que possui ou pode possuir, já que você vai interpretar uma obra que é alheia e teve todo um constructo estético-técnico que a sustenta. No entanto, em tempos de hedonismo des-iludido e cultura do excesso, de hipermodernidade, como Lipovetsky reflete, o ofício da crítica da obra fílmica também foi convertido em um insípido, inodoro, aborrecido, desengonçado, rápido, ajuntamento de informações, recortadas de tod@s - novamente reconstituídas em um texto sem personalidade, onde prevalece a sinopse da obra, achismos rasos e iguais, porque também são replicados. Tudo porque, ao contrário do que possa parecer, dá trabalho fazer, se preparar/ falar/escrever sobre um tema como o Cinema (Matemática, Arquitetura, Pedagogia,  Jornalismo)  – isso sem mencionar que são muitos “os Cinemas”.

 

Como alguém que já experienciou a prática e é professora de disciplinas de audiovisual há15 nos - e uma apaixonada por cinema desde os seis -  gostaria de sugerir, de forma generalizada, que se respeite quem trabalha e tem experiência na área.  Quando não somos especializados em um tema, o que temos é uma opinião, que está, claro, sujeita ao nosso desconhecimento daquilo, frente ao preparo de outra pessoa que vive/trabalha/pesquisa tais assuntos. Assim, uma doutora em Química, Sociologia, Engenharia;  um PhD em Educação, Medicina, Direito  não pode achar que uma doutora/um doutor em Cinema saiba menos que el@ sobre o tema: Cinema rsrs.  Sim, é ridículo ter que dizer isso. Parece óbvio, mas não é rsrs.  Mesmo entre “gente estudada”, rsrs,  há uma grande desqualificação de certas erudições frente à opinião de quem “gosta de cinema” e se entretem com ele. Ver milhares de filmes não o tornará um especialista em Cinema, mas um/uma experiente espectador/espectadora. Claro que também tem a ver com a vaidade, muito presente em todos os universos profissionais e principalmente, nas redes sociais.  Então, mais humildade é um bom começo.

 

Uma noção importante que está associada a este post  e é pouco entendida é:

 

           FEC  ≠  VGF

 

Fazer ou estudar Cinema é diferente de ver e gostar de filmes rsrs. 

 

Muita gente confunde as coisas. Não é porque você gosta de cinema que vai gostar de fazer filmes e/ou entender profundamente sobre a feitura deles. Fazer cinema é preparo técnico e gestão criativa e também financeira e interpessoal  – não é somente @ produtora/produtor que se preocupa com isso, embora seja el@, que vai viajar pelos sete círculos do inferno, principalmente se for realizar a obra em países que não tem muito respeito pelo trabalho criativo, nem muita vontade de investir em Cinema. Fazer Cinema é lidar com dezenas/centenas de pessoas – e isso quer dizer também, com diferentes subjetividades e sim, vaidades.  Gostar de filmes é satisfação emocional, técnica, estética e, eventualmente, quase escopofilia rsrs, mas pertence a outra categoria de conhecimento.

 

Nas semanas que antecedem o Oscar pipocam o que eu chamo de sinopseiros, gente cheia de informações coletadas a esmo, que não sabem fundamentar, nem contextualizar aquilo que assistem e comentam. Recortam informações secas e fofocas suculentas, acumulam clichês e entregam a uma população eternamente carente e autoindulgente com a qualidade da informação, um material qualquer, palatável e consumível. Quando entrevistam: reincidem em perguntas  vazias e recorrentes, como ontem, em várias coberturas.

 

 

 

 É possível melhorar?

 

As sugestões, de forma objetiva, então vão para quem faz ou pensa em fazer análise crítica, resenha especializada sobre uma obra fílmica. A primeira: estude mais. Muito mais.  Produza, mas estude. Dê para um professor/professora de sua confiança, para @ colega em que confia e espere um retorno franco e objetivo. Não adianta esperar elogios. A palavra vaidade, já apareceu no texto algumas vezes por uma simples razão: ela serpenteia a vida profissional de muita gente e é um desserviço ao aprendizado. Estude e aplique. Estude e corrija. Porque ver alguns sites de "críticas" e  "famosos" canais de Youtube sobre o tema – “cults”, “descolados”, “engraçadinhos” -  é,  eventualmente, constrangedor rsrs para quem estuda Cinema. Diz muita coisa sobre arte, produção e recepção em uma sociedade rsrs. Mesmo porque, também, ninguém é educad@ audiovisualmente para que possa sequer identificar e refletir sobre a construção de um produto que mistura tantas linguagens. Sendo assim, a papinha (medíocre) serve a todo mundo.  No entanto, aqui se fala dos (pseudo-)crític@s de cinema de massa, que teriam a obrigação profissional de oferecer um conteúdo diferenciado.

 

 

Um filme, não importa se hollywoodiano ou de Arte, é um universo de escolhas e a aprendizagem pode incluir, por exemplo, Literatura, Hq e games para se entender o mercado de roteiros (adaptados) na Hollywood contemporânea.  Se você procurar as dez maiores bilheterias de 2017, vai perceber que a Marvel/DC, os  livros e os games são as maiores fontes de histórias para os filmes na atualidade. Produções específicas para o cinema em Hollywood minguam há anos. Isso fala sobre a indústria do cinema. Há razões então, que entrelaçam vários tipos de conhecimentos e informações para se falar de uma obra fílmica profissionalmente.

 

Para uma/um crítico de cinema é muito importante entender de Arte e criação (em vários sentidos), seja para captar o trabalho realizado pel@s profissionais dentro da obra, de forma específica, seja para compreender a realização técnica, o grau de empenho, criatividade e profissionalismo da direção, da performance; da produção, da  fotografia, da montagem/edição, do figurino, da captação do som e do seu design, da finalização da obra, etc. Porque dentro de um projeto é tudo isso que resulta na sua forma final. Perceba: entender não é somente ver e se emocionar com o conteúdo que foi entregue. É refletir, comparar, teorizar, oferecer, compartilhar. Tempo e dedicação.

 

 

É preciso ser curios@ e se perguntar:

 

O que faz uma boa direção de arte?

O que faz de um roteiro, agudo e perspicaz?

O que faz de um roteiro adaptado, bem realizado?

O que faz da interpretação d@ uma atriz/um ator, inesquecível?

O que faz de um figurino, soberbo?

O que faz uma montagem, inteligente?

O faz da direção de arte, sensível e perfeita?

O que faz de uma trilha sonora, clássica?

O que é um documentário criativo na linguagem utilizada?

etc...etc...etc.

 

Ou não rsrs. O que não faz de uma obra memorável e sim, absolutamente descartável?

 

Então, não sejamos levian@s oferecendo a audiência uma informação tão banal, desestruturada e desonesta, nem como audiência, consumindo um conteúdo tão repetitivo, chavão e trivial. Sim, redundei.

 

 

 PS:

 

Para aprender a fazer boas críticas, boas referências ajudam. Recomendo então, para quem se interessa em estudar: Pablo Villaça,  Peter Bradshaw, Dana Stevens, A.O. Scott,  Lisa Schwarzbaum, Jonathan Rosembaun, Manohla Dargis, David Edelstein, Dylis Powell. Dos clássicos: Truffaut, Bazin , Godard, Pauline Kael, Roger Ebert e Vicent Canby.

 

Uma bibliografia bem básica em português sobre os temas que permeiam as ações no cinema:

 

A LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA . MARTIN, Marcel.

A Estética do Filme. Aumont, Jacques.

Introdução à teoria do cinema. STAM, Robert.

Como ver um filme. BAHIANA, Ana Maria.

Cinema e Montagem. LEONE, Eduardo; MOURÃO, Maria Dora.

As teorias dos cineastas. AUMONT, Jacques.

Direção de Arte no Cinema Brasileiro. Vera Hamburguer.

Ator e Estranhamento - Brecht e Stanislavski. Rizzo, Eraldo.

A TELA GLOBAL: MÍDIAS CULTURAIS E CINEMA NA ERA HIPERMODERNA. LIPOVETSKY, Gilles;

Expor uma História: A Fotografia no Cinema. ARONOVICH, Ricardo.

As Principais Teorias do Cinema. Andrew, J. Dudley..

O Sentido do Filme; A forma do Filme; EISENSTEIN, Serguei.

Montagem Cinematográfica e a Lógica das Imagens. Augusto, Maria de Fátima.

 

Sites?

www.ancine.gov.br

http://www.cinemateca.gov.br/

https://www.rottentomatoes.com

www.cinemaemcena.cartacapital.com.br/

www.hojeviviumfilme.blogspot.pt

http://www.metacritic.com/

http://kntcs.tumblr.com/

https://www.rogerebert.com/

https://www.youtube.com/channel/UCOpcACMWblDls9Z6GERVi1A

https://www.youtube.com/user/kermodeandmayo/featured

https://www.youtube.com/user/CinemaSins

 

 

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